domingo, 6 de janeiro de 2013

Para entender melhor as cartas do Tarô (I)

Ao longo destes mais de 20 anos aprendendo, ensinando e praticando o Tarô, tive oportunidade de conhecer milhares de pessoas, de diversos locais, crenças, estilos de vida, orientações sexuais e ideológicas, classes sociais e culturas. Cada pessoa precisa ser orientada de acordo com a sua situação, sua realidade, suas possibilidades, seu modo de pensar e de agir. Não se pode dar os mesmos conselhos e orientações de forma unificada, cristalizando os significados das cartas como sempre sendo os mesmos para todas as pessoas e situações apresentadas. As cartas, também chamadas de Arcanos, palavra que significa o saber oculto, o segredo e o fundamento do arquétipo, possuem significados básicos, dos quais não se pode fugir, que servem como palavras-chave para que se tenha de onde partir no estudo e na compreensão do que o oráculo quer dizer. Mas além dos significados básicos, elas possuem também desdobramentos destes, aspectos mais amplos que precisam ser conhecidos para que se possa adaptar os símbolos expressos em cada imagem às infinitas situações de vida que cada consulente traz. A(o) taróloga(o) deve compreender cada arquétipo apresentado da forma mais ampla possível, observar o jogo como um todo, pois as cartas se complementam e dialogar com o consulente para que se defina qual nuance do arcano está sendo apresentada. Cada cliente é um universo diferente, por mais que os problemas possam ser semelhantes. Cada pessoa age de forma diferente e não deve haver uma linha de conduta determinada pelo tarólogo como sendo a melhor para todos, de acordo com suas crenças pessoais. Um bom tarólogo deve manter um distanciamento entre sua conduta e crenças pessoais e aquilo que ele aconselha a cada cliente. Para isto, precisa ser flexível, procurar conhecer e entender as necessidades e anseios de cada pessoa que nos procura, respeitando as diferenças entre o que eu faria e o que o outro vá fazer, exercitar a alteridade. Para possibilitar uma leitura coerente, temos os sistemas de leitura, os diversos tipos de jogos de Tarô, que possuem casas nominadas, ou seja, posições definidas em que as cartas aparecem. Nós, tarólogos, combinamos os significados das cartas com o significado das casas em que elas estão. Existem inúmeros tipos de jogos e jogadas novas podem ser criadas por cada jogador, mas a dinâmica é esta. Temos as tiragens clássicas, que algumas vezes levam os nomes dos magistas que as criaram, outras são nomeadas pelo formato que irão apresentar na mesa, outras ainda pela área da vida que pretendem esclarecer. A profundidade que uma leitura pode atingir é infinita e variável de acordo com a capacitação e com as habilidades naturais de cada profissional mas também com o significado das casas. Exemplo, uma casa denominada simplesmente “passado” pode dar margem a expandir a consciência do leitor e fazer com que ele veja diversos momentos diferentes do passado, mas se há duas casas, uma “passado remoto” e outra “passado recente”, facilita muito, não é mesmo? Mais ainda quando a casa diz: “influências do passado que me trouxeram à atual situação”. Deu para entender um pouquinho como funciona?

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